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COMO FALAR DA SUPERLIGA FEMININA SEM FALAR DO REXONA

Escrito em: 24/04/2017 às 13:33   /   por   /   comentários (0)

O Rio de Janeiro conquistou a 12ª Superliga Feminina de sua história. Isso deixa claro sua supremacia, sem dúvida. Por outro lado, se entrarmos mais a fundo na questão, percebemos que a verdadeira hegemonia é da Rexona. Correndo o risco de fazer “merchan” gratuito, vai rolar uma reflexão sobre como a marca se tornou o patrocínio mais bem sucedido de todos os tempos no vôlei brasileiro. Comparado até com o masculino.

Se considerarmos apenas a Superliga, instituída em 94/95, foram disputadas 23 temporadas com 10 títulos do time do Rio de Janeiro Vôlei Clube. Mas se pensarmos que o projeto da Rexona começou no Paraná Vôlei Clube, antes da marca se mudar para o Rio, temos mais dois títulos, o que configura 12 títulos em 23 temporadas. Se somarmos mais quatro vices (um do Paraná e três do Rio), os times que a Rexona patrocinou chegaram a decisão da Superliga em 69,5% das temporadas e foram campeões em 52,17% delas. Se o assunto for pódio, a marca Rexona esteve presente entre os três primeiros em 82,6% das vezes. Um verdadeiro case de sucesso.

O começo

A história da Rexona com o vôlei, como já foi dito, começou no Paraná Vôlei Clube, em 1997, em Curitiba. O clube funcionava como um clube empresa e estava também subordinado o Centro de Excelência do Voleibol, espécie de projeto social da Unilever, sediado no Ginásio do Tarumã.

Havia uma parceria público/privada com o Governo do Estado do Paraná, sendo que este último responsabilizava-se pela reforma e manutenção do ginásio, escolha das escolas estaduais para a implantação dos núcleos de iniciação esportiva e pagamento dos professores. Já a Unilever, dona da marca Rexona, arcava com os custos referentes à equipe profissional, além de compra de material esportivo para os professores e alunos do projeto, bem como pagamento dos professores do Núcleo Tarumã e organização dos cursos de capacitação e aperfeiçoamento.

Desde o início sob comando do técnico Bernardinho, o então Rexona/Paraná fez sua primeira partida contra a seleção brasileira juvenil, com vitória por 3 sets a 0. Daí para frente o sucesso, sobre o qual já falamos.

Abaixo, o tie-break emocionante do jogo que deu o primeiro título ao Rexona/Paraná

A mudança para o Rio, se deu por diversos motivos. Em uma entrevista ao Jornal do Estado, em 2004, Bernardinho contou que a transferência da sede era uma questão de marketing, reduzindo as derrotas que a equipe vinha sofrendo na época. O próprio Bernardinho foi um fator decisivo. Quando assumiu a seleção brasileira, que treinava no Rio, local onde o técnico residia, a Unilever viu por bem manter seu técnico e isso pesou na mudança.

De novos ares, a equipe retomou os bom resultados e consolidou sua hegemonia. Mas nada disso seria tão emblemático se não houvesse um rival à altura.

A hegemonia Rio x Osasco

A hegemonia construída pelo equipe do Rio de Janeiro é mais representativa por possuir um antagonista à altura. O Osasco. Seja nas fases em que teve o BCN, a Finasa ou a Nestlé como patrocínio master, o time de Osasco sempre foi o principal rival da equipe do Rexona. É coisa do nível de Barcelona e Real Madrid na Espanha, se bobear.

O confronto das duas equipes já é a maior rivalidade do vôlei nacional faz tempo. Já soma 82 partidas, com 48 vitórias do Rio de Janeiro, contra 35 do Osasco. Os times se enfrentaram em onze finais de Superliga, o que já é quase a metade das edições. São oito títulos da equipe carioca diante das rivais paulista, que só venceram três decisões em que o clássico valia a taça.

Abaixo os melhores momentos da decisão 2016/17

Uma das personagens que mais representa a fase carioca do vôlei da Rexona é a libero Fabi. A atleta que já fez história com a seleção brasileira, atingiu a incrível marca de 12 finais seguidas da Superliga pelo Rio e dez títulos pelo time carioca. Mas quem mais jogou finais pelo time foi Regiane. Outro nome intimamente ligado ao time na sua fase carioca, a capitã fez 13 finais seguidas é dona da maior pontuação em clássicos disputados em finais (30 pontos na decisão de 2006/2007).

Rexona campeao 2017

Fabi puxa a fila da comemoração da Superliga 2017. FOTO: André Durão/globoesporte.com

Também existem aquelas que atuaram pelas duas equipes. Sheilla e Dani Lins, nomes de peso do vôlei brasileiro, estão nesta lista. A mineira Sheilla, por exemplo, trocou de lado logo depois de estabelecer o recorde de pontos da Superliga pelo Rio (494), na temporada 2010/2011.

Mas o maior de todos os nomes dessa história da Rexona com o vôlei é Bernardinho. O técnico está no projeto há 20 anos, desde o Paraná Vôlei Clube. Sempre à beira da quadra com seu temperamento explosivo.

Se um domínio tão amplo de uma equipe, ou de uma rivalidade como essa, se preferirem, é bom ou não, isso é outra história. Uma discussão para depois. O negócio é que o vólei brasileiro é muito desequilibrado. E boa parte da culpa é da competição do projeto da Rexona para o vôlei feminino.

 

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