Inscreva-se

 

 

Futebol Nacional

O CRUZEIRO, O HEXA E O FUTEBOL CAUCULISTA

Escrito em: 01/11/2018 às 18:48   /   por   /   comentários (0)

O Cruzeiro conquistou o hexa da Copa do Brasil. Agora, é o maior campeão da competição, o único time com um bicampeonato consecutivo nela e, de quebra, a segunda equipe com mais títulos nacionais (entre copas e campeonatos) no país. Perfeito? Acredita que não?

Vamos para um texto que pode parecer chato para alguns, mas que expressa o que eu (e provavelmente uma parcela da torcida celeste) penso sobre o time. Se você não for torcedor do Cruzeiro, tente entender essa dicotomia. Se for, não queira me bater se tiver uma opinião diferente.

Confira o StartCast que tratou do hexa celeste

Cruzeiro ergue a taça em Itaquera.

Cruzeiro ergue a taça em Itaquera. FOTO: Stringer/Reuters

O time do Cruzeiro fez uma competição extremamente segura. Só deslizou contra o Santos, talvez para dar emoção. É difícil explicar um descontentamento quando o time entrega aquilo que você mais espera, no caso o título. Mas tentarei. Esse descontentamento no caso é o jeito de jogar do time.

Ano passado, exaltei a volta do Cruzeiro copeiro, quando falei do penta, mas dessa vez esse espírito copeiro veio com o peso de um futebol reativo. Excessivamente.

O Cruzeiro, por ser atual campeão, precisou apenas de quatro confrontos para ser campeão. Abandonou o Brasileirão para se dedicar a Copa do Brasil (por ter um caminho mais curto para o título, pagando um prêmio astronômico a quem o conquistasse) e a Libertadores, sua maior aspiração. E para vencer as copas, evoluiu o padrão defensivo de 2017, para um padrão quase perfeito.

Mano Menezes monta times fortes na defesa e nos contra-ataques. Nenhuma novidade até aí, mas dessa vez o Cruzeiro foi demais. Com Dedé voltando de contusão, a defesa do Cruzeiro teve um ano incrível, falhando pouco e sendo o ponto forte do time. Quando falhava, Fábio salvava – como sempre salvou. Mas o ataque…

Não podemos falar que minguou por completo, porque o time era mortal nos contra-ataques, mas era excessivamente restrito. Como bem disse o colega de blog, Glauber Maia, o Cruzeiro do Mano faz apenas a “conta do chá”. Até quando goleava (algo raro), de alguma maneira era necessário para o saldo de gols. Isso me incomodou demais. Houve uma fase em que, se o time fizesse 1×0, já se podia esperar que a raposa nem chutasse mais ao gol. Guardados os devidos exageros, o que estou dizendo é que esse time não se preocupava em ser goleador. Se preocupava em fazer o suficiente. E na maioria das vezes conseguiu. Na verdade, só não conseguiu contra o Boca.

Mano com a taça que conquistou dois anos seguidos.

Mano com a taça que conquistou dois anos seguidos. FOTO: Marco Galvão/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Se você não se incomodou com isso, o título foi uma maravilha. Pegamos o Atlético-PR quando o time estava mal e aproveitamos. Aliás, quem coloca um mata-mata dividido por uma Copa do Mundo, ainda mais com a volta na segunda pós-final? O Furacão melhorou bastante depois desse duelo. Mas àquela altura, não punha medo em ninguém.

O Santos martelou o Cruzeiro até não poder mais na Vila Belmiro. Mas o Cruzeiro subiu umas duas ou três vezes ao ataque, fez seu gol e venceu o jogo. Mas no meio tempo entre a ida e a volta, Cuca chegou arrumou o time e venceu o jogo do Mineirão, com duas infelicidades celestes depois de perder um monte de gols (talvez no jogo em que o time mais criou chances de fazê-los). Poderia ter custado a vaga, mas Fábio resolveu de novo – como fez nas semifinais e finais de 2017.

O Palmeiras era a grande prova. Depois da chegada de Felipão – aliás, reparem que só o Mano segue no emprego… – o Palmeiras não havia perdido pra ninguém. Jogava parecido com o Cruzeiro. Mais feio até. Mas tinha um elenco que proporcionava o luxo de ter dois times competitivos para colocar em campo. Seria complicado. Mas com um ataque e um gol na ida (e alguma polêmica), o Cruzeiro mostrou sua eficiência mais uma vez. Principalmente defensivamente. Tanto na ida quanto, principalmente, no empate da volta, o Cruzeiro quase não sofreu risco claro de gol. Uma classificação consistente.

Atacar pra que? Só se necessário! Parecia o que nos esperava para a final. Ainda mais contra o fraco time do Corinthians, que de retranca em retranca foi indo. Decidindo a vaga em casa e se virando fora, a equipe que trocou de técnico na semifinal parecia ser mais defensiva ainda que o Cruzeiro. Ficou claro isso na ida. O Corinthians não chutou no gol. E o Cruzeiro tentou muito, até fazer o seu. Mas depois se satisfez com o 1×0 (o que me matou de raiva!). Isso poderia fazer falta na volta, como quase fez. Mas com VAR errando contra e a favor, acabou que ficou por isso mesmo. Mas o avião que trouxe o Arrascaeta do Japão, fez a diferença.

No fim, o time do Cruzeiro dominou a competição inteira. Ganhou TODOS os jogos fora de casa. Teve show individual de Dedé, Fábio e Arrascaeta. E do que eu estou reclamando? Pois é, não devia reclamar. Mas não consigo só ficar feliz com o título. Acho que um time que tem Barcos, Raniel, Sassá e, vá lá, o Fred, poderia fazer mais gols. Não aceito futebol sem gol (do meu time, claro). Já o título aceito. E como bom reclamão que sou, sei comemorar mesmo enquanto reclamo.

Comentários (0)

Escreva um comentário

Comentário
Nome E-mail Website