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Futebol Internacional, Mundial Sub-17

O BRILHANTE ANO DOS YOUNG LIONS

Escrito em: 29/10/2017 às 14:26   /   por   /   comentários (0)

2017 foi um ano dos sonhos para as categorias de base da Inglaterra. Ao Young Lions tiveram um aproveitamento absurdo nas competições que disputou a nível europeu e mundial. Um vice-campeonato da Euro Sub-17 e os títulos do Torneio de Toulon (com jogadores entre 18 e 20 anos), da Euro Sub-19 e dos Mundiais Sub-17 e Sub-20. Algo nunca antes visto pelos ingleses. Foram os primeiros títulos mundiais do país desde a Copa de 66. E evidente, nada foi por acaso.

A Inglaterra construiu uma fama de fracassada muito sólida. Criou o esporte, mas não se impôs como uma seleção forte e vencedora. Possuiu uma Copa do Mundo em casa e sob suspeita, mas não havia nenhum outro título ou resultado expressivo contra as grandes seleções do mundo. Gerações e mais gerações de bons atletas, com grandes carreiras e conquistas expressivas no âmbito de clubes, que não se converteram em resultados efetivos. O pensamento agora é inverter essa lógica.

O papel da EPPP

Em 2012 foi criado na Inglaterra o “Elite Player Performance Plan” (EPPP), um projeto de parceria entre a FA (Football Association, a Federação Inglesa), os clubes da Premier League e os da Championship (Segunda Divisão). Com a filosofia de desenvolver atletas mais criativos e técnicos, o EPPP trabalha os jovens em fase de iniciação (9 a 11 anos), desenvolvimento jovem (12 a 16 anos) e desenvolvimento profissional (17 a 23 anos), com metas de trabalho progressivas e focadas na evolução dos jovens.

Quem cuida dos jovens são profissionais antenados e preparados pelo próprio EPPP, que oferece um intenso curso de dois anos para treinadores. Garantindo a qualidade e o engajamento dos responsáveis pelos jovens, a etapa seguinte é recrutar os atletas.

O programa de formação de técnicos da EPPP inclui técnicas femininas.

O programa de formação de técnicos da EPPP inclui técnicas femininas. FOTO: Premier League

O processo passa por todo o país e os direciona o garoto ao clube mais próximo. “Os clubes recebem uma cotação entre 1 e 4 (1 é a mais alta) de acordo com a estrutura que oferecem, e quanto maior a nota mais dinheiro recebem para investir nas categorias de base”, explicou Luiz Alberto Monaco em matéria do site Chuteira FC.

Além do projeto, o papel governamental, por meio do Ministério do Esporte, também é crucial para os resultados. São 10 milhões de libras (R$ 40 milhões) por ano, desde 2015, para construção de campos de grama artificial e desenvolvimento de treinadores, além do fundo de desenvolvimento das categorias de base, do qual faz parte com a federação e a liga.

Em menos de cinco anos de existência, o trabalho da EPPP já rendeu títulos e uma série de promessas que já são tratadas como joias por grandes times do país.

A importância de dar rodagem aos jovens

Os garotos jogam. Isso é importante. São mais de seis mil jogos por temporada e quando os garotos chegam na faixa de 17 a 23 anos, disputam a “Premier League 2”, uma espécie de liga de aspirantes com o time “B” dos 24 clubes classificados como de cotação “1” no programa EPPP. Ainda existe uma competição internacional, a “Premier League International Cup”.

Os Young Lions

A turma é nova, mas já chama muita atenção. Talvez seja a nova geração de jogadores ingleses de mais destaque desde a classe de 92 do Manchester United, que revelou Beckham, Giggs e Neville.

Dentre os campeões sub-20 na Coreia do Sul, destaque para a turma da frente. Com 19 anos, o goleador e craque do mundial, Dominic Solanke (que saiu do Chelsea para o Liverpool), o rápido e habilidoso Ademola Lookman (Everton) e o agressivo ponta Sheyi Ojo (Liverpool). Com 20 anos, os grandes nomes são o habilidoso atacante Doninic Calvert-Lewin (Everton) e o meia Josh Onomah (Tottenham).

Da turma mais jovem, que conseguiu a impressionante virada no 5×2 contra a Espanha na decisão do sub-17, na Índia, os grandes nomes são Phil Foden (City) e o artilheiro Rhian Brewster (Liverpool).

Rhian Brewster foi artilheiro do Mundial Sub-17.

Rhian Brewster foi artilheiro do Mundial Sub-17. FOTO: Getty Images

Com tanta gente boa e um trabalho tão bem estruturado, os resultados vieram. Mas a grande questão é: isso vai ter sequência na fase adulta? Essa transição das categorias de base para a elite não tem funcionado bem na Inglaterra, uma vez que os clubes tem grana para exportar craques de todo canto do mundo. Com a liga forte, o espaço dos garotos é cada vez menor. Assim, os jovens acabam tendo espaço em time menores, tendo uma carreira repleta de empréstimos e com pouca experiência entre os confrontos de primeira linha. Um exemplo recente é o próprio Solanke, que sem jogar no Chelsea, foi para Liverpool e atuou apenas 82 minutos em 16 jogos na temporada.

Enfim. Os resultados provam que o trabalho é bem feito. O futuro depende das inúmeras variáveis do futebol. Mas uma coisa é certa: a Inglaterra mais uma vez tomou uma atitude que serve de exemplo para o mundo do futebol. Ganhar uma Copa do Mundo é outra história.

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