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UM NOVO BRASIL PARA UM NOVO FUTEBOL DE AREIA

Escrito em: 09/05/2017 às 1:28   /   por   /   comentários (0)

O Brasil voltou a ser campeão mundial de futebol de areia. O penta veio nas Bahamas, com a vitória sobre o Taiti por 6×0. Mas na verdade veio de um processo de retomada do esporte no país.

 

Para quem, como eu, se acostumou a ver frequentemente competições de futebol de areia nas manhãs de sábado e domingo, a seleção brasileira mandava e desmandava no esporte. Se falarmos só de mundiais, o Brasil dominou a era pré-FIFA, conquistando nove dos dez títulos disputados. E dando show, com Júnior, Zico, Jorginho, Cláudio Adão, Júnior Negão, Neném, Benjamim…

Com o crescimento do esporte e das suas possibilidades de mercado, a FIFA tomou para si o esporte e passou a realizar a Copa do Mundo sob sua chancela. Houve um esforço grande para profissionalizar o esporte e difundi-lo pelo mundo. Logo na primeira edição, deu França, mas depois o Brasil retomou o controle e conquistou mais quatro títulos. Foi aí que o jogo virou.

Se a ideia era popularizar o esporte funcionou. Rússia, Taiti, Suíça, México, Irã e outras seleções começaram a figurar no mundial com boas campanhas. O profissionalismo também veio, mas parece que o Brasil regrediu.

Segundo Júnior Negão, ex-jogado e técnico da seleção, atualmente coordenador técnico do time canarinho, apontou uma série de questões para o desempenho ruim nos mundiais de 2011, 2013 e 2015. Em entrevista ao jornal Zero Hora, Negão disse que da sua época de jogador para os dias atuais, as equipes ficaram mais competitivas e o Brasil passou a se preparar menos.

“Antes, era o Brasil e mais três ou quatro equipes que eram profissionais. Treinávamos muito, e agora estamos voltando a treinar. Nos últimos anos, estava como técnico, mas praticamente não tinha jogo do Brasil. A seleção se reunia 10 dias antes de uma competição, não tinha jogo de clube”, afirmou.

O Brasil não renovou sua geração vencedora e passou a disputar poucos jogos. A direção do esporte no Brasil cometeu muitos erros e a seleção brasileira chegou ao ponto de jogar quase que apenas as eliminatórias e a Copa do Mundo. “Tinha uma dificuldade enorme de fazer um time”, afirmou Júnior Negão sobre seu período como técnico. Como forma de superar esse ostracismo e renovar o esporte, foram instituídas a Copa Brasil e as seletivas regionais, com a inserção de clubes tradicionais do futebol de campo no esporte. Com mais jogos, mais jogadores apareceram.

Há seis anos, o Brasil não tinha revelações. Por isso, de certa forma, “sacrificou” os dois últimos mundiais, para tentar consolidar uma nova geração competitiva. Nesse meio tempo, vimos a Rússia conquistar dois títulos e Portugal vencendo um mundial em casa. O Brasil foi decaindo de um vice, para um terceiro lugar e culminando com uma eliminação precoce nas quartas-de-final. Mas o trabalho de base ia sendo feito.

Com isso, o Brasil formou um novo time. Chegou para a Copa do Mundo das Bahamas com 29 jogos de invencibilidade. Passou por um grupo difícil na primeira fase, superando Taiti (4×1), Polônia (7×4), Japão (9×3), Portugal (4×3) e Itália (8×4), para chegar à decisão contra o Taiti e garantir o título.

Nomes como Mauricinho, Daniel, Rodriguinho, Dantinha e Catarino foram destaques do torneio e ao lado de atletas mais experientes como o goleiro Mão e Bruno Xavier, estão consolidando uma nova geração vencedora do esporte no país.

Mão e Bruno Xavier são dois pilares da nova seleção brasileira. FOTO: Getty Images/FIFA

Num momento em que Irã e Taiti sobem ao pódio como representantes de uma nova fase do esporte, o Brasil mostra que é possível ser uma nova velha força nesse novo futebol de areia. Mais profissional, mais tático, mas sempre com espaço para o talento e o jogo bem jogado.

 

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