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Fórmula 1

O CAÓTICO GP DA GRÃ BRETANHA DE 75 E A ÚLTIMA VITÓRIA DE FITTIPALDI

Escrito em: 09/07/2016 às 18:42   /   por   /   comentários (0)

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Em qualquer lugar do mundo a chuva é um fator que adiciona emoção as corridas de Fórmula 1. Porém, uma das consequências da chuva é que as corridas podem em um dado momento virarem um caos absoluto.

O artigo de hoje lembrará o GP da Grã Bretanha de 1975, marcado por um final caótico, que marcou a última vitória do bicampeão Emerson Fittipaldi na Fórmula 1.

Emerson Fittipaldi, em 1975. FOTO: www.gettyimages.co.uk.

Emerson Fittipaldi, em 1975. FOTO: www.gettyimages.co.uk.

“Era a primeira vez que Fórmula 1 voltava a Silverstone após a caótica corrida de 1973. Naquela oportunidade, Jody Scheckter rodou no início da segunda volta e ficou atravessado no meio da pista, causando um dos maiores acidentes da história. Nove carros bateram, e a prova precisou ser interrompida por horas. Por causa disso, a famosa curva Woodcote deu lugar a uma chicane, como forma de prevenir confusões como aquela que Scheckter causou.

Não seria suficiente, porém, para evitar que o G.P. de 1975 se transformasse num completo caos. De início, a prova não teve nada de anormal. Largando da pole, o inglês Tom Pryce saiu mal e perdeu a liderança para o brasileiro José Carlos Pace, que comandou o pelotão nas primeiras voltas. Nessa altura, Emerson Fittipaldi era um discreto oitavo.

Pace liderou durante 12 voltas, antes de perder a primeira posição para o suíço Clay Regazzoni. As trocas de posições no pelotão de frente eram constantes, e a prova prosseguia num ritmo bastante animado. De repente, tudo mudou. Na volta 19, uma enorme temporal atingiu o circuito de Silverstone, mudando o destino da corrida.

O primeiro a ter problemas é Regazzoni, que erra e sai da pista na curva Club. O suíço danifica sua asa dianteira, e perde qualquer chance de lutar pela vitória. Assim, quem assume a liderança é Pryce, que havia acabado de superar Pace. Mas o momento de glória do inglês não dura muito: na volta 21 ele bate, deixando a primeira posição para o “Moco”. Logo depois, porém, o brasileiro perde a ponta para Scheckter. A chuva diminuiu de intensidade, mas a pista continua molhada.

Como os pit stops eram absolutamente amadores naquela época, muitos pilotos relutam em trocar de pneus. Sem querer arriscar, Jean Pierre-Jarier, Lauda e o líder Scheckter são uns dos que escolhem visitar os boxes, enquanto outros – como Emerson, Pace e James Hunt – continuam na pista. Lauda perde muito tempo e sai da disputa, mas Scheckter e Jarier retornam num ritmo suficientemente rápido para alcançar os primeiros colocados em poucas voltas.

Parecia que a vitória estava entre os dois, mas… a chuva havia parado. Sem outra opção, Scheckter e Jarier são obrigados a fazer mais uma parada, o que deixa a liderança nas mãos de James Hunt. Correndo em casa, o inglês era uma autêntica zebra, mas seu motor começa a falhar e ele perde a ponta para Emerson. Faltavam 25 voltas para o fim. Será que a corrida já estava decidida?

Muito pelo contrário. Na volta 55, a Fórmula 1 assiste a uma das cenas mais insólitas de sua história. A chuva volta, em proporções ainda piores. Não era mais um temporal. Era quase um dilúvio. Não demora muito e vários rios se forma no meio da pista. Pior do que isso: apenas numa parte da pista. Como não poderia deixar de ser, começam os acidentes.

O primeiro a bater é Jarier. Logo depois, Pace e Tony Brise também saem da pista. Então – um atrás do outro – praticamente todos os pilotos que descem a reta Hangar vão perdendo o controle de seus carros ao se depararem com o paredão de água. Outros seis batem no fim da Hangar – Scheckter, Hunt, Brian Henton, John Nicholson, David Morgan e Wilsinho Fittipaldi – enquanto mais três se acidentam na curva Stowe: Patrick Depailler, Mark Donohue e John Watson.”

No vídeo a seguir se vê a confusão que foi o final daquela corrida

“Enquanto isso, Emerson vai para os pits e coloca pneus de chuva, voltando ainda na liderança. A troca nem serviria para muita coisa, porém: com apenas cinco pilotos na pista, os organizadores são obrigados a interromper a prova. No fim da reta Hangar, vários carros se amontoam, produzindo um verdadeiro ferro-velho da Fórmula 1. E, no resto do circuito, fica a dúvida: no meio de toda aquela água, será que alguém ainda tinha noção da classificação da corrida?

Após um momento de indefinição, a direção de prova classifica os pilotos de acordo com a ordem da volta 56, logo após a chegada da chuva. Emerson é o vencedor indiscutível, com Pace, Scheckter, Hunt, Donohue e Vittorio Brambilla ocupando as posições seguintes. Na prática, portanto, apenas dois dos seis primeiros permaneciam na pista quando a bandeira vermelha foi acionada.

Emerson Fittipaldi recebendo o troféu de vencedor do GP da Grã Bratanha de 1975. FOTO: www.gps.gpexpert.com.br

Emerson Fittipaldi recebendo o troféu de vencedor do GP da Grã Bratanha de 1975. FOTO: www.gps.gpexpert.com.br

No livro Fórmula 1 – Pela Glória e Pela Pátria, o jornalista Eduardo Correa transcreve um trecho do anuário Autosport, onde os autores tentam imaginar como poderia ter sido o discurso do diretor de prova, pouco antes da corrida. A brincadeira mostra bem o grau de animação da corrida, e o caos em que se transformaram as últimas voltas daquele G.P. da Inglaterra. Diria o diretor de prova:

– Pace, você lidera da primeira à 12ª volta. Clay, você pode liderar as próximas seis, então Pryce lidera duas e Scheckter, uma. Hum… Pace, pode liderar outras cinco, depois Scheckter volta por mais seis. Jean-Pierre, você lidera por duas voltas e nós então teremos Hunt por oito. Emerson pode liderar o resto da prova. Deixa eu ver: nós teremos duas tempestades e dezesseis de vocês podem bater, dos quais doze nas últimas voltas. Ok? Entenderam bem?”

Texto retirado do do Blog F1 Grand Prix

A situação foi tão absurda que o resultado da corrida só foi confirmado 3 dias depois e confirmou a dobradinha brasileira de Emerson Fittipaldi e José Carlos Pace. Outra dobradinha nacional só viria a ocorrer em 1986 já com Piquet e Senna como protagonistas.

Este ano a dobradinha pode ser protagonizada pelas Mercedes de Rosberg e Hamilton, caso eles não se acertem mais uma vez como já ocorreu este ano na Espanha e na última corrida na Áustria. Desta vez será que não haverá problemas?

O circuito da corrida

O Grande Prêmio da Grã Bretanha (mais conhecido no Brasil como GP da Inglaterra) e o GP da Itália são as únicas etapas da história da Fórmula 1 que sempre aconteceram de forma interrupta. Em 66 anos, sempre durante uma temporada de Fórmula 1 as duas etapas estiveram presentes no calendário.

Vista aérea do Circuito de Silverstone onde se realiza o GP da Grã-Bretanha desde 1950. FOTO: www www.gtbazinga.com.br

Vista aérea do Circuito de Silverstone onde se realiza o GP da Grã-Bretanha desde 1950. FOTO: www www.gtbazinga.com.br

Além de Silverstone, a Fórmula 1 na “Ilha da Rainha” já utilizou os circuitos de Aintree e de Brands Hatch pare realização de corridas da categoria, sendo que de 1955 á 1986 a corrida ocorria um ano e Silverstone e no ano seguinte em Aintree ou Brands Hatch. Somente em 1987 é que a etapa da Grã Bretanha passou a ocorrer somente em Silverstone.  Ainda ocorreu uma corrida em Donington Park no ano de 1993, mas que valeu como GP da Europa.

Detalhe de uma das retas mais conhecidas da Fórmula 1 a “Reta do Hangar”. FOTO: pt.wikipedia.org

Detalhe de uma das retas mais conhecidas da Fórmula 1 a “Reta do Hangar”. FOTO: pt.wikipedia.org

O lendário circuito de Silverstone passou por várias modificações desde a primeira corrida realizada por lá em 1950, todas para atender as exigências da FIA ao longo dos anos. O traçado atual, composto por retas, várias curvas rápidas e algumas lentas (que pode ser montado com combinações diferentes) possui 5891 metros. Em situações normais, os pilotos deverão fazer o percurso 52 vezes para que se, conheça o vencedor da etapa britânica da Fórmula 1. O traçado do circuito, pode ser visto na figura a seguir.

Circuito de Silverstone onde se realiza o GP da Grã-Bretanha. FOTO: pt.wikipedia.org

Circuito de Silverstone onde se realiza o GP da Grã-Bretanha. FOTO: pt.wikipedia.org

Pilotos e equipes devem ficar atentos. Na cinzenta Inglaterra a chuva é sempre possível de ocorrer, adicionando mais emoção à corrida.

Dados históricos

Nas 66 edições realizadas até agora do GP da Grã Bretanha desde 1950, 38 pilotos diferentes venceram lá. O italiano Giuseppe Farina foi o primeiro vencedor, em 1950, correndo no antigo traçado de Silverstone.

Os maiores vencedores de GPs da Grã Bretanha são o inglês Jim Clark e o  francês Alain Prost com 5 vitórias cada, sendo que Prost é o maior vencedor em Silverstone, pois todas as suas 5 vitórias foram conquistadas lá. Por equipes, quem mais venceu até agora foi a Ferrari com 16 vitórias (13 em Silverstone), seguida pela McLaren, com 14 vitórias (12 em Silverstone).

A pole mais rápida do atual traçado foi feita por Lewis Hamilton pela Mercedes em 2013 com o tempo de 1min 29s 507 (com os carros com motores V8) e a volta mais rápida foi feita por Fernando Alonso em 2008, pela Ferrari com o tempo de 1min 30s 874 (também com os carros com motores V8).

Expectativa para a corrida

A tensão voltou a subir dentro da Mercedes após o GP da Áustria semana passada, marcado por mais um “encontrão” entre Rosberg e Hamilton. Pior para Rosberg, que liderava a corrida até a última volta e estava abrindo 31 pontos de distância em relação a Hamilton e viu o inglês o ultrapassá-lo na última volta, vencer a corrida, enquanto o alemão terminou a corrida se arrastando com a asa dianteira embaixo do carro e terminado apenas em 4º lugar. A diferença entre eles é agora somente de 11 pontos a favor de Rosberg. No fim das contas Rosberg foi considerado culpado pelo acidente e punido com 10 segundo em seu tempo final, que não tirou o 4º lugar na pista. Ele alegou problema nos freios no acidente com Hamilton. Será? Ou o alemão andou fazendo escola com outro compatriota multi campeão na Fórmula 1? Muttley, faça alguma coisa!

Falha nos freios ou manobra “a lá Schumacher”? FOTO: www.eurosport.com

Falha nos freios ou manobra “a lá Schumacher”? FOTO: www.eurosport.com

E Hamilton mostrou no treino classificatório que pode diminuir ou até ultrapassar o adversário na classificação correndo em casa. Hamilton precisou fazer a pole position por duas vezes (a primeira volta rápida foi anulada por ele ter ultrapassado o limite da pista), sendo que a segunda vez foi “a lá Senna” no finalzinho da classificação. Traduzindo: a corrida promete e muito para amanhã.

Quem desta vez ameaça as Mercedes são as Red Bull de Verstappen e Ricciardo que vem logo atrás da dupla da Mercedes no grid. A Red Bull está evoluindo ao longo da temporada e sem Vettel e Raikkonen não ficarem espertos, os “Touros Vermelhos” vão tomar o posto da Ferrari de segunda força no grid.

Os pilotos brasileiros não estão em um bom momento. Enquanto Felipe Massa vem perdendo constantemente sua “batalha” dentro da Williams com Valtteri Bottas, Felipe Nasr vai ficando nas posições finais do grid em função do seu limitadíssimo carro da Sauber. Até a Manor já pontou nesta temporada e a Sauber não. É… a vida não tá fácil pra ninguém.

Hamilton venceu na Áustria após incidente com Rosberg na última volta. FOTO: formula1.com

Hamilton venceu na Áustria após incidente com Rosberg na última volta. FOTO: formula1.com

Resultado do treino classificatório

treinoinglaterra

Horário:

Corrida – 09/07/2016 (domingo), 09:00h (horário de Brasília)
A corrida será transmitida pela Rede Globo. Boa corrida para todos.

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