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Futebol Nacional, História, Perguntar não ofende

A FITA AZUL E A ÉPOCA ROMÂNTICA DO FUTEBOL BRASILEIRO

Escrito em: 14/11/2016 às 12:05   /   por   /   comentários (0)

E mais uma vez preparamos um post baseado numa sugestão de um dos seguidores do blog. A mensagem veio de Aldanny Rezende (Belo Horizonte-MG), pela nossa fanpage no Facebook: “Caros, eu e meu amigo Fabio Canova gostaríamos de saber quais os times brasileiros que receberam a honraria FITA AZUL, tão comemorada no querido estado do Paraná pelo glorioso Coritiba”.

Pois bem, vamos lá! Estamos no período que corresponde aos anos 50, 60 e 70, época em que o futebol era muito, mas muito diferente. A Fita Azul era uma honraria concedida aos times de futebol brasileiros que faziam excursões internacionais e retornavam invictos. Era um título não oficial, mas uma alegoria usada para enaltecer o grande resultado internacional conquistado pelo clube. Como jogar com equipes estrangeiras não era comum nem dentro do próprio continente, dava-se muito valor a fita azul – quando se ganhava, claro.

No começo, quando da sua criação em 1950, quem concedia a Fita Azul era a CBD (Confederação Brasileira de Desportos), que foi a precursora da CBF, apenas aos times que ficassem dez partidas invictas. Entretanto, ela desistiu da ideia. Foi então que o conceituado jornal A Gazeta Esportiva resolveu dar sequência a honraria, exigindo que a série invicta fosse de pelo menos seis partidas. Mas desistiu depois de um tempo.

Não existe certeza absoluta, mas acredita-se que o nome “Fita Azul” veio devido à maioria das excursões da época serem feitas por viagens em navios e, por simbolismo, fita azul é o termo usado a descrever algo de alta qualidade. O uso veio da banda azul, um prêmio concedido, por linhas de passageiros, a barcos que cruzavam em menor tempo o oceano atlântico ou ao primeiro barco a cruzar a linha de chegada em uma regata.

Vamos contar um pouco da história dos clubes que foram agraciados com a Fita Azul, que forma uma lista bem eclética.

PORTUGUESA – 1951, 1953 e 1954

O time base da Portuguesa da década de 50. FOTO: Divulgação/Lusa

 O time base da Portuguesa da década de 50. FOTO: Divulgação/Lusa

A década de 50 foi o auge da Lusa. O time era uma das maiores equipes do Brasil, com nomes como Djalma Santos, Pinga e Julinho Botelho. A primeira viagem do time paulista que rendeu a Fita Azul, e que deixou a equipe conhecida na Turquia como “Desportos”, foi encarada na época como uma forma de reerguer o orgulho brasileiro, ferido pelo Maracanazzo de 1950. Antes de embarcar, a Lusa havia apanhado de 7×3 do Bangu, pelo Rio-São Paulo, mas durante os dois meses de viagem, o time paulista arrasou os adversários, inclusive ganhando o Troféu San Isidro, na Espanha, ao vencer o Atlético de Madrid por 4×3.

28/04 – Portuguesa 3 x 1 Fenerbahce (TUR)
29/04 – Portuguesa 4 x 2 Galastasaray (TUR)
04/05 – Portuguesa 4 x 1 Besiktas (TUR)
06/05 – Portuguesa 3 x 1 Seleção de Ankara (TUR)
08/05 – Portuguesa 3 x 1 Galastasary (TUR)
15/05 – Portuguesa 4 x 3 Atlético de Madrid (ESP)
17/05 – Portuguesa 1 x 1 Valencia  (ESP)
20/05 – Portuguesa 5 x 3 Helsingborgs (SUE)
26/05 – Portuguesa 1 x 0 Sondra (SUE)
28/05 – Portuguesa 2 x 0 Kanraten (SUE)
29/05 – Portuguesa 4 x 2 Goteborg (SUE)
31/05 – Portuguesa 3 x 2 Norrkoping (SUE)

A segunda Fita Azul veio depois de uma excursão por Peru, Colômbia e Equador. Na Colômbia, a Lusa conquistou um torneio quadrangular contra o Millonários, time do craque argentino Alfredo Di Stéfano.

21/06 – Portuguesa 4 x 0 Alianza Lima (PER)
24/06 – Portuguesa 1 x 1 Deportivo Municipal (PER)
28/06 – Portuguesa 2 x 0 Sport Boys del Callao (PER)
30/06 – Portuguesa 3 x 1 Universitario de Desportes Lima (PER)
02/07 – Portuguesa 3 x 0 Alianza Lima (PER)
05/07 – Portuguesa 4 x 2 Independiente de Santa Fé (COL)
12/07 – Portuguesa 1 x 1 Atlético Nacional (COL)
19/07 – Portuguesa 2 x 1 Millionarios (COL)
20/07 – Portuguesa 0 x 0 Independiente de Santa Fé (COL)
22/07 – Portuguesa 2 x 0 Barcelona de Guayaquil (EQU)

Já a terceira honraria veio em 54, mas com desfalques. O time brasileiro jogou desfalcado de Djalma Santos, Brandãozinho e Julinho, que serviam à Seleção Brasileira que iria à Suíça, disputar a Copa do Mundo. Foram três meses de jogos, 20 partidas e 19 jogos invictos. Isso mesmo, no primeiro jogo, contra o Arsenal, a Portuguesa apanhou de 7×1 – para alguns justificado pelas 48h de viagem -, o que por si só já inviabilizaria a honraria. Porém, a derrota foi perdoada, depois dos 19 jogos invictos e vitórias contra o Watford, Racing Club-FRA, Borussia, Schalke e Galatassaray.

20/02 – Portuguesa 1 x 7 Arsenal (ING)
22/02 – Portuguesa 5 x 2 Watford (ING)
24/02 – Portuguesa 2 x 0 Lufton Town (ING)
02/03 – Portuguesa 0 x 0 Royal Tilleur (BEL)
07/03 – Portuguesa 0 x 0 Royal Charleroi Sporting Club (BEL)
18/03 – Portuguesa 1 x 0 Angers Sporting Club (FRA)
24/03 – Portuguesa 3 x 1 Stade de Reims (FRA)
27/03 – Portuguesa 3 x 2 Rot-Weiss (ALE)
28/03 – Portuguesa 4 x 1 Borussia Monchengladbach (ALE)
03/04 – Portuguesa 4 x 0 Besiktas (TUR)
04/04 – Portuguesa 0 x 0 Fernebahçe (TUR)
07/04 – Portuguesa 1 x 1 Adalet (TUR)
10/04 – Portuguesa 0 x 0 Vefa (TUR)
11/04 – Portuguesa 2 x 1 Galastasaray (TUR)
19/04 – Portuguesa 2 x 1 Fortuna Dusseldorf (ALE)
22/04 – Portuguesa 4 x 2 Schwartzweiss (ALE)
29/04 – Portuguesa 2 x 1 Schalke 04 (ALE)
01/05 – Portuguesa 1 x 0 Tenis Borussia Berlin (ALE)
05/05 – Portuguesa 2 x 0 Verein Fur (ALE)
09/05 – Portuguesa 6 x 0 Sheffield Wednesday (ING)

Abaixo, colocamos um podcast “Meu time de botão” que contou a história da Portuguesa tri da Fita Azul.

CORINTHIANS – 1952

Manchete da Revista do Corinthians de 1952, exaltando o Timão na Finlândia. FOTO: Revista do Corinthians

Manchete da Revista do Corinthians de 1952, exaltando o Timão na Finlândia. FOTO: Revista do Corinthians

Em 1952, o Corinthians excursionou pela Turquia, Suécia, Finlândia e Dinamarca. Foram 15 jogos sem perder, com 13 vitórias conquistadas, mas, assim como a Portuguesa faria em 54, o time não voltou invicto. Logo na primeira partida em solo europeu, o time do Parque São Jorge foi derrotado pelo Besiktas, mas ainda assim recebeu a fita azul pela longa série invicta, graças a uma exceção aberta, que dois anos depois valeria também à Lusa. Cabe ressaltar que o jogo contra a seleção olímpica da Finlândia, realizado em 1º de junho, marcou a inauguração do Estádio Olímpico de Helsinque, que sediaria os Jogos Olímpicos daquele ano.

22/04 – Besiktas  1 x 0 Corinthians (TUR)
23/04 – Fenerbahçe 1 x 6 Corinthians (TUR)
26/04 – Galatasaray 0 x 1 Corinthians (TUR)
27/04 – Seleção da Turquia 1 x 1 Corinthians
03/05 – Seleção de Ancara 1 x 3 Corinthians (TUR)
04/05 – Seleção da Turquia B 1 x 2 Corinthians
06/05 – Seleção da Turquia 0 x 1 Corinthians
07/05 – Galatasaray 2 x 4 Corinthians (TUR)
14/05 – AIK 3 x 3 Corinthians (SUE)
16/05 – Djurgärden 2 x 3 Corinthians (SUE)
18/05 – Combinado Copenhague 1 x 1 Corinthians (DIN)
27/05 – Malmoe 1 x 2 Corinthians (SUE)
29/05 – Seleção Gotemburgo 3 x 9 Corinthians (SUE)
01/06 – Seleção Olímpica da Finlândia 1 x 5 Corinthians
04/06 – Seleção de Gävle 0 x 6 Corinthians (SUE)
08/06 – Seleção de Halmstads/Hamlia 1 x 10 Corinthians (SUE)

O vídeo seguinte reconta a história da excursão do Corinthians à Europa.

PORTUGUESA SANTISTA – 1959

Portuguesa Santista que embarcou para a África em 59. FOTO: Acervo Portuguesa Santista

Portuguesa Santista que embarcou para a África em 59. FOTO: Acervo Portuguesa Santista

A Fita Azul, apesar de não ser um título oficial, é a maior glória da história da Portuguesa Santista. A “Briosa” excursionou pela África em 1959 voltando com 15 partidas e 15 vitórias. Entretanto, apesar de vitórias acachapantes, o que chamou atenção foi o episódio ocorrido na África do Sul, em pleno apartheid, quando proibiram o desembarque de três jogadores negros no time de Santos.

O episódio causou repercussão negativa nas relações do país com o Brasil, chegando ao ponto do presidente JK ordenar que a Briosa de retirasse do país. O time chegou a ser coagido no vestiário do estádio onde enfrentaria um combinado do país, para que não colocasse os jogadores negros em campo. Em virtude do incidente diplomático, o Brasil se tornou o primeiro país a se posicionar contra o Apartheid.

Recepção apoteótica em Santos aos jogadores "fita azul" que chegavam da África em 1959 FOTO: revista especial do 57º aniversário do clube, 1974

Recepção apoteótica em Santos aos jogadores “fita azul” que chegavam da África em 1959
FOTO: revista especial do 57º aniversário do clube, 1974

16/04 – Portuguesa Santista 5 x 0 Seleção de Lourenço Marques (MOC)
18/04 – Portuguesa Santista 8 x 0 Ferróvairo de Moçambique  (MOC)
19/04 – Portuguesa Santista 5 x 0 Desportivo Lourenço Marques  (MOC)
26/04 – Portuguesa Santista 4 x 2 Seleção de Lourenço Marques  (MOC)
30/04 – Portuguesa Santista 3 x 0 Ferróviário de Moçambique  (MOC)
03/05 – Portuguesa Santista 2 x 0 Seleção da Beira  (MOC)
09/05 – Portuguesa Santista 9 x 1 Seleção de Lourenço Marques  (MOC)
10/05 – Portuguesa Santista 5 x 1 Seleção de Transvaal (AFS)
16/05 – Portuguesa Santista 5 x 1 Seleção da África do Sul
17/05 – Portuguesa Santista 7 x 1 Ferroviário da Angola (ANG)
19/05 – Portuguesa Santista 3 x 0 Seleção de Huíla  (ANG)
21/05 – Portuguesa Santista 6 x 1 Seleção de Luanda (ANG)
23/05 – Portuguesa Santista 4 x 1 Seleção de Benquela  (ANG)
24/05 – Portuguesa Santista 3 x 0 Ambaca  (ANG)
28/05 – Portuguesa Santista 6 x 2 Seleção de Huambo  (ANG)

O Globo Esporte produziu uma matéria contando a história da visita da Briosa à África e do episódio de segregação ocorrido durante o Apartheid.

 

CAXIAS – 1962

O time do Flamengo de Caxias que excursionou pela Argentina em 1962. FOTO: Acervo Caxias

O time do Flamengo de Caxias que excursionou pela Argentina em 1962. FOTO: Acervo Caxias

A excursão que resultou na Fita Azul do Caxias é de 1962, época em que o time ainda se chamava Grêmio Esportivo Flamengo. Quem arranjou a viagem foi um empresário argentino, Juan Doce, que já havia levado o time para enfrentar e perder para a seleção Uruguai por 6×1. A visita à Argentina foi muito bem sucedida e resultou 9 vitórias e 3 empates. Foram 5 mil quilômetros de ônibus, que os jogadores apelidaram de “El Condor”, passando pelas províncias de Buenos Aires e Mendoza e Bahía Blanca.

10/04 – Seleção de Bahia Blanca 2×3 Flamengo de Caxias
13/04 – Seleção de Mar del Plata 3×3 Flamengo de Caxias
16/04 – Seleção de Tandil 1×5 Flamengo de Caxias
19/04 – Seleção de Tunuyan 1×6 Flamengo de Caxias
22/04 – Pacífico 2×6 Flamengo de Caxias
25/04 – Seleção de San Rafael 1×3 Flamengo de Caxias
28/04 – Godoy Cruz 1×1 Flamengo de Caxias
01/05 – Seleção de San Nicolau 3×5 Flamengo de Caxias
04/05 – Pedal Pergamino 2×4 Flamengo de Caxias
07/05 – Seleção de Zarate 0×2 Flamengo de Caxias
10/05 – Seleção de Mercedes 2×6 Flamengo de Caxias
13/05 – Gimnasia y Esgrima 2×2 Flamengo de Caxias

CORITIBA – 1972

A equipe do Coxa que recebeu a Fita Azul de 72. FOTO: Acervo Dreyer

A equipe do Coxa que recebeu a Fita Azul de 72. FOTO: Acervo Dreyer

O Coxa foi um dos últimos times brasileiros a ser agraciado com a Fita Azul. Pioneiro em excursões internacionais no Paraná, a honraria foi a primeira conquista internacional de um clube do Paraná e até hoje é homenageada pelo hino do clube e até mesmo com uma camisa comemorativa.

Ao contrário de ouras excursões, o Coxa fez apenas seis jogos, o mínimo exigido para receber a Fita Azul, com destaques para o empate com a seleção da Turquia e a vitória sobre o Fenerbahce. Curiosamente, o terceiro jogo da visita dos paranaense à Europa foi contra a Portuguesa de Desportos, que devido a suas excursões Fita Azul da década de 50, estava na Turquia, para a disputa do Triangular de Istambul.

14/06 – Coritiba 1×1 Seleção da Turquia
17/06 – Coritiba 2×0 Fenerbahce (TUR)
18/06 – Coritiba 0×0 Portuguesa
28/06 – Coritiba 1×0 Moulodia (AGL)
01/07 – Coritiba 3×1 WRS (AGL)
06/07 – Coritiba 3×1 Seleção Olímpica do Marrocos

SANTOS – 1972

O Santos Fita Azul de 1972. FOTO: Acervo Santos FC

O Santos Fita Azul de 1972. FOTO: Acervo Santos FC

Logo depois do Coxa, foi a vez do Santos de Pelé conquistar a sua. E com direito a uma verdadeira volta pelo Pacífico, indo à Ásia, Oceania e finalizando com um tour pelos EUA. Na verdade já era a terceira excursão do time da Vila Belmiro em 1972 e dessa vez os adversários foram mais robustos. A passagem pela África contou com jogos contra o Coventry City e o Newcastle da Inglaterra, que excursionavam por lá, e o Peixe ainda enfrentou cinco seleções nacionais: Japão, Coreia do Sul, Tailândia, Austrália e Indonésia. A tourne foi muito proveitosa para Pelé, que anotou 25 gols nas 17 partidas. De quebra o Santos se tornou o primeiro time do mundo a atuar em todos os continentes.

26/05 – Santos 3 x 0 Seleção do Japão
28/05 – Santos 4 x 2 South China (HKG)
31/05 – Santos 3 x 1 Syu Fong (HKG)
02/06 – Santos 3 x 2 Seleção da Coréia do Sul
04/06 – Santos 4 x 2 Newcastle  (ING)
07/06 – Santos 4 x 0 Caroline Hill (HKG)
10/06 – Santos 6 x 1 Seleção da Tailândia
13/06 – Santos 2 x 2 Coventry City (ING)
17/06 – Santos 2 x 2 Seleção da Austrália
21/06 – Santos 3 x 2 Seleção da Indonésia
25/06 – Santos 7 x 1 Catanzaro (ITA)
30/06 – Santos 6 x 1 Boston Stars (EUA)
02/07 – Santos 2 x 0 Universidad del México (MEX)
05/07 – Santos 4 x 2 Toronto Metros (CAN)
07/07 – Santos 5 x 0 Combinado de Vancouver (CAN)
09/07 – Santos 5 x 1 Universidad del México (MEX)
11/07 – Santos 4 x 2 América (MEX)

De Tóquio até Los Angeles, o vídeo abaixo conta a história da excursão santista em 72.

SANTA CRUZ – 1979

Manchete da Fita Azul do Santa Cruz. FOTO: Acervo Público de Pernambuco

Manchete da Fita Azul do Santa Cruz. FOTO: Acervo Público de Pernambuco

Seis anos se passaram até que outra equipe recebesse a Fita Azul, que seria a última. E foi para um gigante do Nordeste. O Santa Cruz permaneceu invicto por 12 partidas Oriente Médio, Romênia e França e só recebeu a Fita Azul no ano seguinte, em 1980. E o grande jogo da excursão foi justamente o último, quando o Coral empatou com PSG, em Paris. A Fita Azul fechou uma temporada histórica do Santinha que, um mês antes da excursão, havia aplicado 4×0 na seleção da Tchecolosváquia, atual campeã da Eurocopa, no Torneio Quadrangular José do Rego Maciel.

Imagens do jogo do Santa Cruz com o PSG, em 79. FOTO: acervo pessoal Betinho/Memória do Santa Cruz

Imagens do jogo do Santa Cruz com o PSG, em 79. FOTO: acervo pessoal Betinho/Memória do Santa Cruz

01/03 – Santa Cruz 5 x 1 Seleção do Kuwait
06/03 – Santa Cruz 1 x 1 Seleção do Kuwait
08/03 – Santa Cruz 3 x 0 Seleção do Bahrain
11/03 – Santa Cruz 4 x 0 Seleção do Catar
13/03 – Santa Cruz 4 x 1 Seleção do Catar
14/03 – Santa Cruz 2 x 1 Seleção de Dubai
17/03 – Santa Cruz 3 x 0 Seleção de Abu-Dhabi (EAU)
18/03 – Santa Cruz 3 x 0 Al-Aim (EAU)
20/03 – Santa Cruz 6 x 2 Nasser (EAU)
22/03 – Santa Cruz 3 x 0 Al Helal (ARA)
30/03 – Santa Cruz 4 x 2 Seleção da Romênia
01/04 – Santa Cruz 2 x 2 Paris Saint-Germain (FRA)

TIMES QUE FICARAM SEM A FITA AZUL

E houveram também as equipes que fizeram por merecer a Fita Azul mas não levaram. São Paulo e Bangu, em alguns levantamentos, até são apontados como agraciados com a honraria, mas na prática, não a receberam, por ficarem em um limbo onde nem a CBD nem A Gazeta do Esporte se preocuparam em dar o título. Mas as histórias são boas e a gente vai citar aqui.

BANGU – 1962

O Bangu vivia um dos seus melhores períodos na década de 60. Aproveitando-se disso, acertou uma viagem de quatro meses pela América do Sul, antes da disputa do Estadual daquele ano. O time voltou invicto e ainda conquistou o Torneio Quadrangular do Equador, do qual participou também o São Cristovão-RJ, com atuação destacada de Zózimo e Nilton Santos. Mas ficou sem a Fita Azul. Alguns acreditam que isso se devia a a questões relacionadas à Federação Carioca ou por mera má vontade com o time de Moça Bonita. Mas nada confirmado. O curioso é que, no mesmo ano, o Flamengo de Caxias, bem menos representativo, foi agraciado com a título de honra.

18/02 – Bangu 2 x 0 Seleção do Suriname
25/03 – Bangu 2 x 2 Cochabamba (BOL)
01/04 – Bangu 3 x 1 Deportivo Municipal (BOL)
08/04 – Bangu 1 x 0 Seleção da Colômbia
11/04 – Bangu 1 x 1 Seleção da Colômbia
15/04 – Bangu 1 x 1 Seleção da Colômbia
22/04 – Bangu 4 x 2 Atlântico (COL)
25/04 – Bangu 2 x 1 Independente Medelín (COL)
01/05 – Bangu 1 x 1 Once Caldas (COL)
06/05 – Bangu 3 x 0 Aucas (EQU)
16/05 – Bangu 5 x 1 Barcelona Guayaquil (EQU)
20/05 – Bangu 4 x 1 Emelec (EQU)

A equipe do Bangu que enfrentou a Colômbia. FOTO: acervo Bangu

A equipe do Bangu que enfrentou a Colômbia. FOTO: acervo Bangu

SÃO PAULO – 1964

Com o Morumbi em obras e sem seu craque Roberto Dias, servindo a seleção, o São Paulo viajou para uma excursão à Europa, que acabou entrando para a história do clube, com 8 vitórias e três empates. Os grandes destaques do time eram Del Vecchio, Bellini e Suli. Na época, o título da Fita Azul não foi entregue imediatamente, em virtude da desistência da CBD. Como a documentação da época era falha e muito se perdeu, não existe nenhum registro no clube paulista de que a honraria tenha sido oficializada, mesmo com os resultados expressivos que o tricolor conquistou, especialmente na Itália.

09/05 – São Paulo 2×0 Dukla Praha (TCH)
14/05 – São Paulo 3×1 Borussia Dortmund (ALE)
20/05 – São Paulo 3×1 Sel. Norte da França
22/05 – São Paulo 0x0 Anderlecht (BEL)
26/05 – São Paulo 3×0 Nîmes (FRA)
30/05 – São Paulo 2×0 Karlsruher (ALE)
03/06 – São Paulo 1×1 Valenciennes (FRA)
13/06 – São Paulo 2×1 Bordeaux (FRA)
16/06 – São Paulo 1×1 Duisburg (ALE)
18/06 – São Paulo 2×1 Fiorentina (ITA)
20/06 – São Paulo 1×0 Zenith (URS)
24/06 – São Paulo 1×0 Milan (ITA)

Manchete da vitória do São Paulo contra o Milan. FOTO: acervo

Manchete da vitória do São Paulo contra o Milan. FOTO: acervo

No fim das contas, a Fita Azul não teria espaço nos dias de hoje. Como foi dito no podcast que inserimos ao contar a história da Portuguesa, era uma época de mais gentileza no futebol, onde as conquistas dos times eram mais valorizadas, mesmo sem o título oficial.

A verdade é que ficamos chatos demais com a necessidade de padronizar as glórias dos clubes. Uma chancela oficial tem muito mais valor do que os feitos dos clubes. O que é uma pena. A Fita Azul, que hoje parece não ter sentido, é o simbolismo maior de uma época romântica do futebol, que não volta mais.

 

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